Audiência pública reforça rejeição popular ao cemitério vertical no Jd. Maria Rosa

A audiência pública que  discutiu o projeto de construção de um cemitério vertical no Jardim Maria Rosa reforçou a rejeição dos moradores ao projeto. Por outro lado, revelou a necessidade de revisão do Plano Diretor da cidade, como propôs a promotora de Justiça Letícia Rosa Ravacci. Para ela, a região do Maria Rosa perdeu as características que a enquadraram como área industrial, portanto deve ser revista e dessa forma não poderá abrigar o empreendimento.

A audiência pública ocorreu na quinta-feira, 27, após o avanço do processo administrativo relacionado ao pedido de alvará do empreendimento, protocolado em 2021 e retomado em 2025. 

O projeto prevê a construção do cemitério na Avenida José Dini, área de grande adensamento populacional. Por se tratar de um empreendimento gerador de impacto, o projeto precisou apresentar um Estudo e Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV), conforme determina o Plano Diretor Municipal. O documento é parte central do processo e foi um dos pontos debatidos.

A promotora de Justiça, Dra. Letícia Rosa Ravacci, afirmou que o terreno onde se pretende implantar o cemitério vertical não corresponde mais à classificação industrial prevista no Plano Diretor de 2006, hoje defasado. 

“O empreendimento tem alto impacto ambiental, social e urbanístico, numa área já consolidada como mista; o Plano Diretor está ultrapassado e a vontade coletiva expressa em mais de 8 mil assinaturas  deve prevalecer sobre o interesse privado”, disse.

O secretário de Habitação, Dr. Márcio Alfredo, destacou que Taboão da Serra vive uma fase de transformação urbana e enfrenta desafios ligados ao alto adensamento e ao déficit habitacional. 

“Taboão vive outra realidade, com alta densidade, déficit habitacional e necessidade de infraestrutura; a região central não comporta qualquer empreendimento e o empreendedor precisa entender a vocação da cidade”, afirmou.

A presidente da Associação da Chácara Agrindus, Nanci Passero, reforçou que “mais de 8 mil moradores são contra; a área tem 35 mil habitantes, trânsito travado, clínica de hemodiálise e poços que podem ser contaminados  não faz sentido colocar um cemitério ali”, completou.

O vereador Dr. Ronaldo Onishi que foi muito procurado pelos moradores para tratar desse assunto e sempre se manifestou contra a construção relembra “desde o começo me posiciono contra, ouvindo casa a casa os moradores; a mobilidade já é caótica e não faz sentido destinar um terreno valorizado e próximo ao futuro metrô para um cemitério que ninguém quer.”

O munícipe Leandro Luiz Oliveira Alves disse que “o cemitério traria risco à clínica de hemodiálise e agravaria o trânsito; existem outros lugares para esse tipo de obra, não no centro.”

A audiência reforçou o posicionamento predominante entre moradores, autoridades e representantes políticos: o Jardim Maria Rosa não é considerado um local adequado para a instalação do cemitério vertical. O relatório final será encaminhado aos órgãos responsáveis pela análise do processo.

Também prestigiaram a audiência o secretário adjunto de Habitação, Renato Borges, os vereadores Galo, Dídio e Bressan, além da imprensa local e de diversos moradores do Jardim Maria Rosa.

Da Redação do Jornal na Net

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